Paulo Roberto Gomes Fernandes esteve à frente de um momento relevante da trajetória da Liderroll quando, em 2011, a empresa apresentou ao mercado um sistema inovador capaz de permitir a manobra simultânea de tubos múltiplos em ambientes confinados, como túneis de grande extensão. À época, a novidade foi apresentada durante a Rio Pipeline e chamou a atenção do setor por propor ganhos concretos de eficiência, segurança e racionalização de espaço em obras complexas de dutos.
Logo após o anúncio, ficou claro que a solução dialogava diretamente com desafios reais enfrentados em projetos como o do túnel do Gastau, onde a otimização do espaço interno e a redução do tempo de montagem eram fatores críticos para o sucesso da operação.
Evolução tecnológica aplicada a túneis complexos
O sistema de roletes motrizes desenvolvido pela Liderroll permitiu, pela primeira vez, o lançamento e a movimentação coordenada de mais de um duto sobre a mesma estrutura de suportação. Em um contexto no qual os métodos tradicionais exigiam operações sequenciais, longas paradas e maior exposição de equipes ao risco, a tecnologia representou uma ruptura relevante com os modelos construtivos até então adotados.
Paulo Roberto Gomes Fernandes informa que a concepção do sistema partiu da necessidade prática de controlar melhor o comportamento mecânico dos dutos em túneis estreitos, reduzindo esforços indevidos, tensões localizadas e riscos associados à fadiga de materiais. Ao possibilitar a manobra simultânea, a solução também contribuiu para encurtar cronogramas e diminuir interferências entre etapas construtivas.
Pesquisa, materiais e desenvolvimento próprio
Naquele período, a Liderroll já mantinha uma linha contínua de pesquisa voltada ao desenvolvimento de novos materiais poliméricos e à adaptação desses materiais a diferentes contextos de uso, como terminais marítimos, refinarias, dutovias e gasodutos. O sistema de tubos múltiplos foi resultado direto dessa estratégia, combinando engenharia mecânica, conhecimento de campo e domínio de materiais de alta performance.
O desenvolvimento não se restringiu a um único produto, mas integrou um conjunto mais amplo de conceitos que buscavam ampliar as possibilidades de projeto e oferecer maior liberdade técnica aos engenheiros responsáveis pelas obras. Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que cada solução era pensada para atender simultaneamente a requisitos técnicos, operacionais e de prazo, algo essencial em contratos de infraestrutura pesada.
Desafios de engenharia e realidade de mercado
Um dos principais desafios enfrentados durante o desenvolvimento esteve relacionado à disponibilidade real de componentes no mercado. Nem sempre a solução tecnicamente ideal era viável dentro dos prazos exigidos pelas obras. Isso exigiu da equipe da Liderroll uma abordagem pragmática, baseada em múltiplas alternativas de projeto e na escolha criteriosa daquelas que conciliavam desempenho, segurança e viabilidade logística.

Paulo Roberto Gomes Fernandes elucida que esse equilíbrio entre concepção avançada e execução prática tornou-se uma marca dos projetos da empresa naquele período. Em vez de trabalhar apenas com hipóteses teóricas, a engenharia da Liderroll buscava soluções aplicáveis, testáveis e compatíveis com as condições reais dos canteiros de obra brasileiros.
Mão de obra especializada como fator crítico
Outro ponto central daquele momento foi a escassez de profissionais com formação suficientemente ampla para atuar em engenharia de desenvolvimento. Diferentemente da engenharia de detalhamento, o desenvolvimento de novos sistemas exigia profissionais com vivência de campo, sólida base teórica e capacidade de tomar decisões rápidas e precisas.
Como os protótipos precisavam funcionar corretamente desde a primeira aplicação, não havia margem para longos ciclos de tentativa e erro. Essa característica reforçou a importância de equipes enxutas, altamente qualificadas e integradas ao processo construtivo desde as fases iniciais de concepção.
Base para inovações futuras
O sistema de manobra de tubos múltiplos apresentado em 2011 consolidou-se, com o tempo, como um marco na evolução das soluções desenvolvidas pela Liderroll. Ele serviu de base para outros projetos que viriam nos anos seguintes, sempre com foco na quebra de paradigmas da engenharia tradicional de dutos.
Paulo Roberto Gomes Fernandes percebe que, ainda que aquele anúncio tenha ocorrido há mais de uma década, o conceito introduzido naquele contexto ajudou a redefinir a forma como obras em túneis passaram a ser pensadas, reforçando o papel da engenharia brasileira na criação de soluções inovadoras para desafios complexos da infraestrutura dutoviária.
Autor: Nairo Santos
