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Especialistas da China e do México debatem uso da inteligência artificial no ensino superior durante fórum em São Paulo

Rachel Hartmere
Rachel Hartmere
Publicado setembro 18, 2026
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Especialistas internacionais discutem em São Paulo os impactos e as oportunidades da inteligência artificial no ensino superior, com foco em inovação, formação acadêmica e transformação das instituições.

Contents
A estratégia do Tec de Monterrey para uso responsável da IATsinghua já soma centenas de cursos desenvolvidos com apoio de inteligência artificialPerspectiva empresarial aponta para cooperação entre Brasil e China

Encerrando o primeiro dia do 28º FNESP, realizado em São Paulo, um painel reuniu na quarta-feira, 16 de setembro, três especialistas internacionais para discutir como as instituições de ensino superior podem integrar a inteligência artificial desde a gestão administrativa até a sala de aula. Participaram do debate Ursula Saldivar, diretora de Inovação e Tecnologias Emergentes do Tec de Monterrey, no México; Brian Li, gerente sênior do Online Education Center da Tsinghua University, na China; e Shen Lin, vice-gerente geral da empresa de tecnologia iFLYTEK.

O painel, que fechou a programação principal do primeiro dia do evento, discutiu o desafio das instituições de ensino superior na adoção dessas tecnologias e a necessidade de integrá-las com critérios claros, responsabilidade e propósito acadêmico, preservando o protagonismo de docentes e estudantes no processo de aprendizagem. O tema tem ganhado espaço crescente em fóruns educacionais no Brasil e no mundo, à medida que ferramentas de inteligência artificial se tornam cada vez mais presentes na rotina de estudantes e professores.

A estratégia do Tec de Monterrey para uso responsável da IA

Ursula Saldivar apresentou o plano estratégico da instituição mexicana para lidar com a inteligência artificial, estruturado em diferentes eixos. Entre as prioridades estabelecidas pela universidade estão o desenvolvimento de habilidades humanas para conviver com a IA, a garantia de que os profissionais formados saibam integrar a tecnologia às suas áreas de atuação, e a incorporação estruturada da inteligência artificial ao processo de ensino e aprendizagem.

A executiva também destacou a promoção de uma alfabetização em IA que combine compreensão técnica, uso eficiente, aplicação na solução de problemas, pensamento crítico e responsabilidade ética. Segundo ela, a formação contínua dos docentes e a oferta de um ambiente institucional seguro e governado para o uso de modelos de linguagem completam as prioridades da instituição nesse campo.

Um ponto relevante levantado por Saldivar diz respeito à avaliação da aprendizagem em um contexto de uso disseminado de IA. Na abordagem adotada pelo Tec de Monterrey, o professor continua sendo o responsável pela qualidade acadêmica, a inteligência artificial não deve emitir julgamento avaliativo sobre o desempenho dos estudantes, e a instituição optou por não utilizar detectores automáticos de conteúdo gerado por IA, priorizando avaliações consideradas mais autênticas e ferramentas de revisão submetidas a processos institucionais de aprovação.

Tsinghua já soma centenas de cursos desenvolvidos com apoio de inteligência artificial

Representando a Tsinghua University, uma das universidades chinesas mais avançadas no uso de tecnologia educacional, Brian Li apresentou as três fases de evolução da adoção de IA pela instituição. A primeira fase, iniciada em 2023 e voltada à eficiência, envolveu a adoção de guias de estudo, assistentes de ensino e sistemas de avaliação inteligente para eliminar tarefas repetitivas. A segunda fase, entre 2024 e 2025, deslocou o foco para o desenvolvimento de capacidades, com motores de conhecimento disciplinar voltados à resolução de problemas complexos.

Segundo Li, a universidade já vive atualmente uma terceira fase, batizada de simbiose ecológica, que propõe uma etapa de coevolução entre humanos e inteligência artificial, envolvendo o uso de IA para a ciência, governança tecnológica e a construção do que ele chamou de inteligência híbrida entre humanos e máquinas. Nesse percurso, a Tsinghua já registra centenas de cursos desenvolvidos com apoio de inteligência artificial, incorporando recursos como assistentes de ensino, companheiros inteligentes de aprendizagem e correção automática de atividades.

Para o especialista chinês, esse processo tem provocado uma redefinição do papel docente, que deixa de ser predominantemente transmissor de conhecimento para atuar cada vez mais como designer e facilitador da aprendizagem. Entre as prioridades apontadas por ele para as universidades estão o uso de IA para tarefas repetitivas e recuperação de informações, a preservação do raciocínio independente e do julgamento ético como atribuições humanas, e o desenvolvimento conjunto de capacidades como criatividade e exploração interdisciplinar, mantendo o que chamou de atrito produtivo, ou seja, esforço, incerteza e reflexão como componentes necessários da aprendizagem.

Perspectiva empresarial aponta para cooperação entre Brasil e China

Encerrando o painel, Shen Lin, da iFLYTEK, apresentou a visão de uma empresa de tecnologia que desenvolve soluções de inteligência artificial para instituições de ensino superior. Entre as prioridades listadas por ele estão a incorporação da alfabetização em IA à formação básica de todos os universitários, a capacitação de professores para uso pedagógico e analítico da tecnologia, e a aplicação de inteligência artificial à gestão e à tomada de decisão educacional.

Lin também defendeu o desenvolvimento de modelos de linguagem especializados por área do conhecimento e a aproximação entre currículos universitários e as transformações do mercado de trabalho. Para ele, a perspectiva não é de substituição do ser humano pela tecnologia, mas de colaboração entre pessoas e máquinas, mantendo os estudantes e professores no centro do processo educacional.

O executivo finalizou sua apresentação propondo uma via concreta de cooperação entre Brasil e China no campo da inteligência artificial aplicada à educação, sugerindo o desenvolvimento conjunto de modelos de linguagem adaptados ao português e de aplicações específicas voltadas a diferentes setores educacionais. A proposta reforça um movimento mais amplo de instituições internacionais em busca de parcerias tecnológicas com o setor educacional brasileiro, especialmente diante da crescente presença de ferramentas de IA generativa entre estudantes e professores no país.

Fontes consultadas:

  • https://www.semesp.org.br/fnesp-news/2026/09/16/especialistas-debatem-como-ies-podem-integrar-ia-a-educacao-superior/
  • https://www.semesp.org.br/fnesp/home/
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