Evento reúne milhares de profissionais do ensino superior em São Paulo para discutir desafios, inovação e estratégias para o futuro das instituições de educação.
Nos dias 16 e 17 de setembro, o Distrito Anhembi, em São Paulo, recebeu a 28ª edição do Fórum Nacional de Ensino Superior Particular, o FNESP, considerado o maior evento do gênero na América Latina. Organizado pelo Semesp, o encontro reuniu reitores, gestores, professores e representantes de órgãos públicos para discutir os desafios e as transformações que atravessam o ensino superior brasileiro e internacional, sob o tema “Ponto de Não Retorno da Educação Superior: de um caminho consolidado a múltiplas direções”.
A abertura oficial, na manhã de quarta-feira, contou com a presença de Lúcia Teixeira, presidente do Semesp, além de autoridades como Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, e Rodolfo Cabral, secretário executivo do Ministério da Educação. Na ocasião, Lúcia Teixeira convocou as instituições de ensino superior a reconfigurarem suas propostas acadêmicas diante de um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de aprender e mudanças demográficas que redesenham o papel das universidades.
Painéis abordaram inteligência artificial, políticas públicas e educação a distância
Um dos destaques do primeiro dia foi o painel de abertura conduzido por Vanja Gutović, chefe de Análise de Políticas e Cooperação Internacional do Instituto Internacional da UNESCO IESALC, que apresentou dados do primeiro grande mapeamento global da entidade sobre educação superior. A representante da UNESCO afirmou que o sistema se expandiu e se internacionalizou nos últimos anos, com avanços na inclusão, mas ainda enfrenta desafios estruturais em diferentes regiões do mundo.
Na sequência, um painel reuniu Marta Abramo, secretária da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, e César Callegari, presidente do Conselho Nacional de Educação, para discutir como marcos regulatórios e processos de avaliação podem estimular inovação e qualidade no setor. À tarde, especialistas internacionais, incluindo uma representante da Arizona State University, discutiram experiências de educação a distância que se tornaram referência global de qualidade, com base em um estudo do Observatório EaD do Semesp.
O primeiro dia também trouxe o lançamento do livro “O Poder da Educação para um Planeta Vivo”, com sessão de autógrafos do organizador da obra, Fábio Reis, e se encerrou com um painel sobre o uso da tecnologia e da inteligência artificial na gestão e na sala de aula, reunindo especialistas da China e do México, tema que teve desdobramento próprio dentro da cobertura do evento.
HackLab reuniu estudantes de todo o país e distribuiu prêmios
Paralelamente à programação principal, o FNESP sediou a nona edição do HackLab, uma maratona empreendedora voltada a estudantes universitários que desenvolvem soluções para problemas reais do ensino superior brasileiro. Ao todo, 28 estudantes de 16 instituições de ensino de nove estados participaram de 44 horas de trabalho intensivo de ideação, formatação e montagem de projetos, apresentados em formato de pitch no palco principal no segundo dia do evento.
O grupo vencedor, batizado de Cafs, levou o primeiro prêmio, no valor de dez mil reais divididos entre os integrantes, além de uma bonificação individual. O segundo e o terceiro colocados receberam, respectivamente, um tablet e um Kindle, também acompanhados de bonificação para cada membro da equipe. A banca avaliadora foi composta por empreendedores, consultores educacionais e executivos ligados ao setor.
Segundo os organizadores, a edição deste ano do HackLab foi a maior em número e diversidade de instituições participantes desde sua criação, reforçando o caráter nacional do evento e sua capacidade de atrair estudantes de diferentes regiões do Brasil para discutir soluções aplicadas ao ensino superior.
Segundo dia discutiu atratividade das instituições e o valor da formação
Na quinta-feira, segundo e último dia do fórum, os painéis se concentraram em temas como a reconfiguração de modelos acadêmicos para tornar as instituições mais atrativas diante de mudanças demográficas e da concorrência de novos provedores de ensino. Reitores e diretores de instituições privadas discutiram como currículos mais flexíveis e jornadas formativas adaptadas a diferentes perfis de estudantes podem ajudar a manter a relevância das faculdades e universidades no cenário atual.
Também foram apresentados os resultados do Sistema de Autoavaliação do Semesp, implantado em 49 instituições de ensino superior de diferentes regiões do país, envolvendo 24 indicadores distribuídos em cinco áreas de avaliação. Outro painel de destaque discutiu o valor da educação superior para além de indicadores financeiros e de empregabilidade, reunindo lideranças de instituições como Insper, Afya e Grupo Dom Bosco.
O evento se encerrou com um talk show conduzido pela atriz e apresentadora Dani Calabresa, reunindo executivos do setor educacional para refletir sobre os caminhos da educação superior após o que os organizadores chamaram de “ponto de não retorno”, uma referência às transformações tecnológicas e regulatórias que, segundo os debates do fórum, já não podem mais ser ignoradas pelas instituições de ensino.
Fontes consultadas:
- https://www.semesp.org.br/fnesp/home/
- https://www.semesp.org.br/fnesp-news/2026/09/17/grupo-cafs-foi-o-grande-vencedor-do-hacklab-do-28o-fnesp/
- https://www.semesp.org.br/fnesp-news/2026/09/16/28o-fnesp-debate-o-ponto-de-nao-retorno-da-educacao-superior/
- https://www.semesp.org.br/fnesp-news/2026/09/16/lucia-teixeira-conclama-ies-a-reconfigurar-suas-propostas-academicas/
