Evento realizado em Assis reúne estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais da educação para discutir interculturalidade, diversidade e novas práticas de ensino.
Encontro movimenta a vida acadêmica na UNESP
A Universidade Estadual Paulista (UNESP) realiza nesta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, o segundo e último dia do XI Encontro dos Centros de Línguas e Desenvolvimento de Professores, na Faculdade de Ciências e Letras do câmpus de Assis, no interior de São Paulo. Com o tema “Educação Intercultural Crítica: Horizontes e Práticas”, a edição reúne diferentes integrantes da comunidade acadêmica para discutir os desafios contemporâneos relacionados ao ensino de línguas, à formação docente e à diversidade presente nos ambientes educacionais.
O encontro é direcionado principalmente a estudantes de Letras, professores de línguas, pesquisadores, gestores da educação básica e integrantes dos Centros de Línguas e Desenvolvimento de Professores da universidade. A participação de públicos com diferentes experiências permite aproximar a pesquisa desenvolvida dentro da universidade das situações encontradas diariamente nas escolas e em outros espaços de ensino, fortalecendo a troca de conhecimentos entre graduação, pesquisa, extensão e atuação profissional.
Realizado desde 2014, o encontro também contribui para consolidar os Centros de Línguas como espaços de formação acadêmica e profissional. Além de ampliar as oportunidades oferecidas aos estudantes, a iniciativa favorece a criação de redes de colaboração entre docentes, pesquisadores e futuros professores. Para os universitários, a programação representa uma oportunidade de acompanhar debates científicos, conhecer novas metodologias e estabelecer contato com profissionais de diferentes instituições.
Educação intercultural e diversidade ganham espaço nos debates
Um dos principais focos da edição de 2026 é a chamada educação intercultural crítica, perspectiva que considera o ensino de línguas como uma atividade que ultrapassa a aprendizagem de vocabulário e estruturas gramaticais. A proposta envolve reconhecer diferentes culturas, experiências sociais e identidades presentes nas salas de aula, incentivando práticas pedagógicas que permitam aos estudantes compreender a língua dentro de contextos sociais e culturais mais amplos.
As discussões também contemplam temas relacionados à diversidade linguística, cultural, social e étnico-racial. A intenção é estimular professores e futuros docentes a refletirem sobre como diferentes realidades podem influenciar os processos de ensino e aprendizagem. Nesse contexto, assuntos como educação antirracista, multiculturalismo e inclusão passam a fazer parte da formação acadêmica e das experiências compartilhadas durante o evento.
Para a comunidade universitária, esse tipo de debate também permite aproximar pesquisas acadêmicas de problemas concretos encontrados na educação. Estudantes que estão iniciando sua trajetória profissional podem conhecer diferentes abordagens pedagógicas e observar como pesquisas desenvolvidas nas universidades podem ser transformadas em estratégias aplicáveis às salas de aula. O encontro funciona, portanto, como um espaço de circulação do conhecimento entre pesquisadores, professores e alunos.
Programação reúne pesquisas, comunicações e mesa-redonda
A programação desta quinta-feira começou pela manhã com sessões de comunicação acadêmica, nas quais participantes apresentam pesquisas concluídas ou ainda em desenvolvimento. Esses espaços permitem que estudantes, professores e pesquisadores compartilhem resultados, metodologias e experiências relacionadas ao ensino e à aprendizagem de línguas adicionais, bem como à formação de profissionais que atuarão nessa área.
Outro destaque é a mesa-redonda “Práticas e perspectivas interculturais no ensino de Língua de Herança”, prevista para esta quinta-feira. A atividade reúne especialistas de diferentes instituições, entre elas a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Fundação Japão. A presença de pesquisadores com experiências distintas amplia o debate sobre como línguas relacionadas à história familiar e cultural dos estudantes podem ser trabalhadas dentro dos processos educacionais.
No período da tarde, a programação continua com novas sessões de comunicação, permitindo a apresentação de diferentes trabalhos acadêmicos. O encerramento está programado para as 16h30 desta quinta-feira (20). Ao longo dos dois dias de atividades, a organização busca combinar apresentações científicas, debates e experiências pedagógicas, transformando o evento em um espaço de atualização profissional e formação complementar para os participantes.
Oficinas e minicursos ampliam formação dos estudantes
O XI Encontro começou na quarta-feira, 19 de agosto, com credenciamento, abertura oficial e atividades acadêmicas realizadas ao longo do dia. A programação contou ainda com palestra da pesquisadora Marisela Colín Rodea, da ENALLT/Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), ampliando o caráter internacional das discussões promovidas no câmpus de Assis.
Minicursos e oficinas também integraram a programação, abordando assuntos relacionados à formação linguística, cultural e pedagógica. Entre os temas apresentados estiveram poéticas feministas no contexto latino-americano, Linguística de Corpus aplicada à prática docente intercultural crítica e multiculturalismo no processo de ensino e aprendizagem de línguas. Essas atividades oferecem aos participantes contato mais aprofundado com métodos e linhas de pesquisa que podem ser utilizados tanto em trabalhos acadêmicos quanto na prática profissional.
Para estudantes universitários, oficinas e minicursos representam uma oportunidade de complementar os conhecimentos adquiridos durante a graduação. O contato direto com pesquisadores e profissionais especializados também possibilita conhecer diferentes áreas de atuação, identificar temas para futuras pesquisas e desenvolver competências que podem ser importantes para a carreira docente. Dessa forma, o encontro integra ensino, pesquisa e extensão dentro da própria experiência acadêmica.
Formação de professores é um dos pilares do evento
A formação inicial e continuada de professores ocupa posição central no encontro. Os Centros de Línguas e Desenvolvimento de Professores da UNESP funcionam como ambientes em que estudantes podem ampliar sua experiência com o ensino, desenvolver atividades de extensão e participar de projetos relacionados à aprendizagem de diferentes idiomas. O encontro anual fortalece esse trabalho ao criar um espaço específico para discussão das experiências desenvolvidas nesses centros.
Ao reunir universitários, docentes, pesquisadores e profissionais da educação básica, o evento também contribui para reduzir a distância entre universidade e escola. Professores que já atuam em sala de aula podem compartilhar desafios e estratégias, enquanto estudantes e pesquisadores apresentam novas abordagens e resultados de estudos acadêmicos. Essa troca favorece a construção de práticas pedagógicas baseadas tanto na produção científica quanto nas necessidades encontradas no cotidiano escolar.
A iniciativa também incentiva a formação continuada, especialmente diante das transformações culturais, sociais e tecnológicas que afetam a educação. Novas formas de comunicação, mudanças no perfil dos estudantes e maior diversidade dentro das salas de aula exigem atualização constante dos profissionais. Eventos universitários desse tipo ajudam a criar espaços permanentes de reflexão sobre essas mudanças e sobre os caminhos possíveis para o ensino de línguas.
Evento fortalece integração e vida acadêmica
Além do conteúdo científico, encontros universitários desempenham papel importante na própria experiência dos estudantes. Participar de palestras, mesas-redondas, oficinas e apresentações de pesquisas permite ampliar o contato com atividades que normalmente não estão restritas às disciplinas tradicionais da graduação. Essas experiências ajudam os universitários a compreender melhor o funcionamento da pesquisa científica e as possibilidades profissionais existentes dentro de suas áreas.
A interação com participantes de outras instituições também favorece o networking acadêmico. Professores, pesquisadores e estudantes podem trocar experiências, conhecer projetos desenvolvidos em diferentes universidades e estabelecer contatos para futuras pesquisas, eventos ou iniciativas educacionais. A presença de especialistas de instituições brasileiras e internacionais amplia ainda mais essas possibilidades de colaboração.
Com o encerramento previsto para esta quinta-feira, 20 de agosto, o XI Encontro dos Centros de Línguas e Desenvolvimento de Professores reforça o papel dos eventos acadêmicos na formação universitária. Ao conectar diversidade, interculturalidade, pesquisa e preparação de professores, a iniciativa transforma o câmpus de Assis em um espaço de discussão sobre os desafios atuais e futuros do ensino de línguas e da educação.
